A transferência de Souffian El Karouani para o Benfica continua a gerar críticas nos Países Baixos. O lateral-esquerdo marroquino chegou às águias por empréstimo do Al Qadsiah, depois de ter sido contratado pelo clube saudita neste mercado, mas sem sequer ter disputado qualquer minuto na Arábia Saudita.
Arnold Bruggink, antigo avançado neerlandês e ex-dirigente do Twente, utilizou este caso para questionar a forma como alguns negócios são conduzidos no futebol atual. Em declarações à ESPN dos Países Baixos, começou por afirmar: «Tirando o facto de que ele está bem financeiramente, acabas por ser tratado como mercadoria. O curto prazo manda. É amadorismo e não gosto.»
O antigo jogador do PSV foi ainda mais longe nas críticas: «É quase tráfico humano. Isto vale para tudo o que envolve muito dinheiro, atrai muitos malucos».
Bruggink considera que os períodos de transferências se transformaram num cenário sem grande controlo, descrevendo-os como algo que «parecem o faroeste», com «clubes a dar tiros para o ar».
O neerlandês recordou também uma situação que envolveu o Benfica quando ainda desempenhava funções de diretor-técnico do Twente. «O Benfica queria um jogador nosso. O empresário apareceu a perguntar se podiam começar a falar. Eu sabia, e mais tarde veio a confirmar-se, que o Benfica estava a falar com outros dois jogadores para a mesma posição, mas nessa altura o nosso jogador já estava louco. Foi impossível avisá-lo, a mensagem já não passava», explicou, sem identificar o futebolista.
Bruggink acrescentou que «nenhum dos três» acabou por rumar ao Benfica, uma vez que «o treinador queria outro» jogador para aquela posição. «Ficámos com um jogador desiludido. É com esse tipo de coisas que temos de lidar», concluiu.
