O que era para ser uma peça de propaganda e proximidade com os portugueses transformou-se rapidamente num pesadelo de comunicação para o Primeiro-Ministro. Para assinalar os dois anos à frente do Executivo, Luís Montenegro partilhou um vídeo emocional que mostrava os bastidores do seu primeiro dia de funções e a viagem solene até à Assembleia da República. No entanto, o país não reparou na mensagem política, mas sim num detalhe ilegal: o chefe do Governo e o seu motorista seguiam viagem sem o cinto de segurança colocado.
A falha, que constitui uma contraordenação grave ao Código da Estrada, incendiou as redes sociais em poucos minutos. A ironia de um governante ignorar uma das regras que mais salva vidas em Portugal não passou despercebida aos internautas, que inundaram a publicação com críticas severas. “Luís, e o cinto?” e “Um péssimo exemplo para quem devia dar o primeiro” foram apenas algumas das frases que marcaram o tom da polémica, desviando completamente o foco das conquistas dos últimos 24 meses de mandato.
Especialistas em segurança rodoviária já vieram a público reforçar que as figuras de Estado têm uma responsabilidade acrescida de exemplaridade. Num momento em que o país luta contra os índices de mortalidade nas estradas, ver o Primeiro-Ministro a ignorar um dispositivo de segurança básico envia uma mensagem de impunidade que está a cair muito mal junto da opinião pública.
Até agora, o gabinete de São Bento mantém o silêncio e não confirmou se o Primeiro-Ministro irá assumir a responsabilidade ou pagar a respetiva coima. Este episódio demonstra como um pequeno erro de edição ou um momento de distração pode deitar por terra meses de planeamento estratégico, transformando uma celebração institucional num debate nacional sobre civismo e cumprimento da lei.